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Dor na lombar é o "mexeu com uma, mexeu com todas" de quem passou dos 50

Brenda Fucuta

11/01/2020 04h00

Foto: Form/Unsplash

Nove entre dez pessoas que frequentam a academia de pilates que eu frequento são mulheres. Nos horários em que pratico, duas em três têm mais de 50 anos. Somos todas bem ativas e, em geral, damos conta do recado fazendo o que a professora manda sem reclamar, estoicamente. Somos um time de desconhecidas com um objetivo comum: alongar as panturrilhas e envelhecer bem.

Mas, mais do que o objetivo, compartilhamos dores (as do corpo, pelo menos). O roteiro das nossas queixas é tão parecido que, quando chega uma aluna nova, para testar a aula experimental, raramente me engano. Ela vai falar que tem dor na lombar ou protusão na cervical ou encurtamento muscular ou retificação da coluna ou artrose. Muitas vezes, todas as coisas ao mesmo tempo.

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É uma variante ortopédica do "mexeu com uma, mexeu com todas". Nada de competitividade aqui, somos solidárias nos problemas. Se bem que, às vezes, aparece uma aluna mais exibida, que exige tratamento particularizado, customizado, personalizado, da professora (que é uma santa, só por ouvir com uma cara plácida todo dia o mesmo ai, ai).

Quando isso acontece, eu tenho vontade de dizer: "Vai logo pro Cadillac porque você não é a princesa da condromalácia aqui". Se você não é pilateiro, merece duas explicações. Cadillac é aquela cama com dossel de metal em que dá pra fazer de tudo, até pirueta. Condromalácia é a serial killer da cartilagem do joelho, muito comum nas mulheres.

Na minha última aula, conheci uma aluna antiga do estúdio de pilates, com quem nunca havia me encontrado. Tínhamos acabado de descer do rolo (cilindro comprido de borracha sobre o qual deitamos a coluna) e nossa lombar estava no nirvana. O exercício seguinte seria nos aparelhos, onde se estica e puxa tudo quanto é músculo dos nossos corpinhos doídos. Minha colega virou para a professora e disse: "Começou o crac-crac. Tava demorando a crocância hoje".

Sabe quando alguém fala aquilo que você pensava, mas tinha vergonha de dizer? Sempre tentei achar um adjetivo para o barulho que meu esqueleto fazia em estado de atrito. Sim, crocante, como aquele chocolate.

Sobre a autora

Brenda Fucuta é jornalista, escritora e consultora de conteúdo. Autora do livro “Hipnotizados: o que os nossos filhos fazem na internet e o que a internet faz com eles”, escreve sobre novas famílias, envelhecimento, identidade de gênero e direitos humanos. Além de entrevistar pessoas incríveis.

Sobre o blog

Reflexões de uma jornalista otimista sobre nossa vida em comum

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