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Por que não celebramos o imperfeito?

Universa

28/01/2019 04h00

 

iStock

Tentar ser perfeito é uma condenação moderna. Nascemos comemorando a perfeição. "Seu bebê é perfeito", diz a enfermeira ou o obstetra, ao entregá-lo à mãe. Mas o que eles diriam se o bebê não fosse "perfeito"? Um bebê imperfeito, aquele que não veio ao mundo conforme o script, como ele será celebrado?

Crescendo, começamos a acreditar que devemos ser alunos perfeitos, amigos perfeitos, netos perfeitos. Nossos corpos devem ser perfeitos também. Mais tarde, adultos, herdamos a meta da perfeição e as repassamos para nossos próprios filhos. Chapinha no cabelo da sua filha porque o modelo de beleza perfeita para a mulher brasileira, neste momento, ainda é o liso absoluto. Intercâmbio nos Estados Unidos – não importa quanto isso custe – para que seu filho fale inglês quase sem sotaque. Não basta mais ser fluente, tem que ser perfeito. Ritalina para crianças que são muito agitadas na aula – e atrapalham os colegas que são quase perfeitos.

Incentivamos crianças e jovens a buscar a perfeição e passamos a acreditar que todos poderão ser virtuoses se eles se esforçarem bastante. Se fosse um filme de Hollywood, seria exatamente isso o que aconteceria no final. Os filmes, no entanto, falam de vidas extraordinárias – no sentido de que são vidas fora do comum. Na vida real, as pessoas são diferentes, com capacidades diferentes. Que lugar teremos no mundo se não somos virtuoses?

A última praga da ideia da perfeição castigou milhões de mulheres ao redor do mundo. Mulheres que não se sentiram perfeitas no equilíbrio dos papéis de mãe, profissional, esposa, amiga, filha etc. A horrorosa imagem da perfeita mulher multitarefas, uma deusa hindu de vários braços que, no fundo, está exausta e de saco cheio.

Hoje, muita gente prefere trocar a busca da perfeição pela ideia da "melhor versão de  si mesmo". Ou seja: tudo bem se você não alcançar a perfeição, desde que você dê o melhor de si.

Um pouco mais razoável e democrático. Mesmo assim, eu me pergunto: por que temos que escolher entre a perfeição e a melhor versão? Será que não conseguimos apenas gostar do que somos ou do que vemos? Volto ao tema ainda.

 

 

 

Sobre a autora

Brenda Fucuta trabalhou em jornais e revistas por 30 anos e se especializou no comportamento de jovens e mulheres. Atualmente, estuda a convivência de gerações e escreve sobre o universo digital dos adolescentes.

Sobre o blog

Reflexões de uma jornalista otimista sobre nossa vida em comum