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Conheça os “yolds”, os velhos jovens que precisam reinventar o mundo

Brenda Fucuta

15/02/2020 04h00

Foto de Jose Murillo/Unsplash

Nasceu entre 1945 e o começo dos anos 60? Então você é filho do baby boom, a explosão de bebês que aconteceu com o fim da grande treta, a Segunda Guerra Mundial, e deve estar meio perplexo com o mundo que habita, cheio de coleguinhas 60+.

Você tem a sensação de que nunca houve tanta gente com esse tipo de idade convivendo no planeta? Você está certo. Duas coisas conspiram para isso. Um: muita gente nasceu na sua época. Muita, muita gente mesmo, foi realmente a festa da natalidade. Dois: pouca gente morreu, porque a expectativa de vida aumentou 30 anos (!) do meio do século para cá. A conta é fácil de fazer, mas os baby-boomers – aqueles que inventaram o rock, foram hippies e consumiram toneladas de cosméticos rejuvenescedores –, não esperavam por essa. Rebelde uma vez, rebelde para sempre.

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A verdade é que não nos enxergamos como velhos – ou qualquer outra nomenclatura que você quiser adotar para essa categoria. Os outros, sim. Os outros, das gerações Y e Z, nos chamam de "senhor" e "senhora" mesmo quando os desobrigamos da etiqueta. Fazem questão de ignorar nossas gírias: bacana, cara, joia.

Entre nós, admitimos, no máximo, que envelhecemos de maneira diferente. Isso é escapismo, fuga da realidade ou os baby-boomers têm um ponto ao não se reconhecerem como velhos?

Acho que têm. Como em outras áreas – amor, maternidade, trabalho –, essa geração repudiou modelos antigos e precisou criar os seus próprios.  Ela mudou o mundo várias vezes e o mundo também mudou para ela. Os baby-boomers lá de trás viveram sem TV até sua adolescência! Imagine-os agora diante da tela touch do celular, do YouTube, da Netflix e do Spotify. Muitos deles podem ter uma ou outra dificuldade com os celulares, que são mais complicados do que precisam ser. Mas, apesar do sotaque, eles aprenderam a língua. Quando vejo uma amiga, com mais de 80 anos, usar vários recursos do WhatsApp com intimidade… Juro, eu tiro o chapéu. Para mim é muito mais impressionante do que os bebês que ligam o tablet. Os tablets são intuitivos para quem está formatando o cérebro.

Aprendi, recentemente, em um artigo da revista The Economist, que já existe um termo para classificar esses baby-boomers que não se enquadram nos velhos padrões. Eles são chamados de yolds (young olds), velhos jovens. (Não por acaso, o artigo foi enviado em um grupo de  WhatsApp que se chama #Melhoraos50. Obrigada, colegas!) Espera-se, dos yolds, novas invenções dentro desse movimento que é chamado de Revolução da Longevidade. Aguardarei, ansiosa, por elas. O mundo está precisado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Brenda Fucuta é jornalista, escritora e consultora de conteúdo. Autora do livro “Hipnotizados: o que os nossos filhos fazem na internet e o que a internet faz com eles”, escreve sobre novas famílias, envelhecimento, identidade de gênero e direitos humanos. Além de entrevistar pessoas incríveis.

Sobre o blog

Reflexões de uma jornalista otimista sobre nossa vida em comum

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